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:: Cirurgia plástica para menores



(Jornal da Tarde, 05/02/2007)


Teens respondem por 15% das operações feitas no País. Mas encarar bisturi antes dos 18 requer precaução


Depois da São Paulo Fashion Week, com todas as suas beldades de corpos e rostos perfeitos, fica mesmo difícil olhar para o espelho sem se incomodar com os defeitos que ele insiste em refletir. Aquela barriga saliente e os pneus saltando da calça até iriam embora com uma boa malhação. Mas e o nariz ‘batatinha’? As orelhas de abano? Os seios grandes ou pequenos demais? Como se livrar deles?

É recorrendo ao bisturi que muitos adolescentes têm procurado corrigir as imperfeições desenhadas em seus corpos pela ‘bipolar’ mãe natureza. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os teens já respondem por 15% das cerca de 800 mil operações estéticas ou reparadoras realizadas anualmente no Brasil (as estéticas tentam harmonizar o ‘conjunto’; as reparadoras corrigem defeitos congênitos, queimaduras e cicatrizes).

Os teens buscam os procedimentos cirúrgicos preferencialmente no fim da vida colegial (após o ensino médio), tentando adquirir uma nova ‘roupagem’ para encarar uma nova etapa da vida, dizem os especialistas. “Muitos adolescentes procuram as cirurgias plásticas quando ocorre a troca de amigos, com o ingresso dos jovens na universidade”, conta o presidente nacional da SBCP, Osvaldo Saldanha.

Dados da entidade mostram que, entre as meninas, as cirurgias mais procuradas são a rinoplastia (correção do nariz ‘batatinha’), a redução de mamas, a lipoaspiração (que é feita em menores apenas quando há indicação médica) e a otoplastia (correção das orelhas de abano). Já os meninos procuram mais a otoplastia, a ginecomastia (redução da mama saliente nos obesos) e a rinoplastia.

Mas não pense que é só decidir repaginar o ‘visu’ e correr para a sala de cirurgia. Nenhum especialista sério sai operando meninos e meninas em crise com o espelho sem levar em consideração uma série de fatores, como a idade, as reais necessidades da intervenção e as condições psicológicas e emocionais do paciente (leia abaixo dicas de como escolher um bom profissional).

“Os jovens ou muito jovens sempre se beneficiam dos procedimentos quando indicados e realizados na faixa etária correta”, ensina o cirurgião plástico Marco Túlio Junqueira Amarante, membro da SBCP. “A operação no nariz deve ser feita a partir dos 16 ou 17 anos, fase em que o crescimento facial terminou”, explica. Já a redução ou o aumento das mamas e a lipoaspiração são indicados para quem tem, no mínimo, entre 17 e 18 anos.

A única intervenção cirúrgica estética que se pode fazer na infância é a otoplastia. “Depois dos 7 anos, a orelha não cresce mais”, garante Osvaldo Saldanha. “A recuperação acontece em poucos dias. Após uma semana, pode retornar às aulas”, completa o cirurgião Marcos Grillo, outro membro da SBCP.

Os benefícios da plástica em adolescentes são imensos quando a sua necessidade é diagnosticada corretamente - ou seja, quando extirpa um problema que comprometia a vida emocional, social e sentimental do paciente. “Ocorre uma elevação impressionante da auto-estima. Muitos jovens chegam a chorar de alegria quando se deparam com o novo visual”, relata Amarante.

Aos pais temerosos, cabe buscar um profissional de confiança. “O medo não deve impedir os adultos de enxergar a necessidade que os jovens têm daquela correção, por conta do trauma que pode surgir no futuro. O melhor caminho é procurar informação e um profissional sério, que traga segurança”, aconselha o médico. Aos apressadinhos, cabe o bom senso. “Alguns pais ‘põem pilha’ antes da hora, ou pior, incutem nos filhos desejos que eles não têm. Isso pode levar a uma frustração muito grande, mesmo diante dos melhores resultados, ou expor os filhos a riscos e danos desnecessários.”


Por Márcio Oyama


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