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:: Como em um conto de fadas



(Jornal da Tarde, 09/04/2009)


O JT mostra quem está por trás da repaginação das ‘gatas borralheiras’


Até parece o conto da Cinderela: a transformação fashion de muitas famosas ao longo de suas carreiras tem, quase sempre, as mãos de uma fada madrinha - ou de um padrinho - por trás. Não é só pelo próprio instinto que musas deixam o posto de popozudas e passam a frequentar as listas das mais bem-vestidas. Nos bastidores, especialistas são contratados para limpar excessos, vestir suas clientes de novidades, direcioná-las em frente ao espelho.

Ike Cruz, dono da Actors & Arts, agência de talentos que ostenta no casting Juliana Paes, Sheron Menezes e Débora Nascimento, apresentou à primeira da fila - protagonista de ‘Caminho das Índias’ (TV Globo) - a sofisticação que ela exibe hoje em suas aparições midiáticas. Juliana já foi “a boa” de uma campanha de cerveja, abusando de decotes, sainhas e shortinhos. Atualmente, a beldade impressiona pelas ótimas peças que veste.

As curvas generosas de Juliana, claro, não sumiram, mas agora estão envoltas com requinte. “Foi uma transformação total”, reconhece Ike. “Gradualmente, a Juliana adquiriu um estilo próprio, do qual me orgulho muito.” O segredo? “Eu a cerquei de bons profissionais, como produtores de moda e estilistas. Mostrei que quem tem um corpo bonito não precisa exibi-lo com coisas curtas e justas, pode ser sóbrio. Hoje, não fico mais em cima, ela faz as próprias compras”, garante o empresário. No passado - os dois trabalham juntos há dez anos -, Ike, centralizador confesso, monitorava cada passo da musa nos shoppings.

Grazi Massafera, outro exemplo de mutação fashion, conta, há cerca de um ano, com a assessoria de Patrícia Zuffa, a mesma stylist de Ivete Sangalo, Cléo Pires e Camila Pitanga. Assim como Juliana, a atriz trocou os megadecotes e minicomprimentos - especialmente em sua época de ex-BBB - pelo bom gosto (e bom senso). Os vestidos ainda são curtos, mas chiquérrimos. Grazi virou até ícone de moda: fez campanha para a Zoomp quando a grife era encabeçada por Alexandre Herchcovitch e, na última edição do Fashion Rio, desfilou para Walter Rodrigues.

O processo, diz Patrícia, se deu naturalmente. “No início, a dificuldade (no quesito vestir) talvez tenha vindo da origem simples dela, mas a Grazi possui um olhar sofisticado. Com o tempo, foi adquirindo uma boa percepção de cores, do próprio corpo, da própria imagem. É uma coisa dela.” As duas se conheceram em campanhas publicitárias e editoriais de revistas estreladas pela atriz e produzidas por Patrícia. “Este contato com a moda deu a Grazi muitas referências. Tanto que, agora, ela costuma comprar roupas sozinha, me chama mais quando tem um evento.”

Além de campanhas e editoriais, o contato stylist-celebridade pode acontecer nos bastidores da TV. Foi assim com Patrícia Pillar, cuja vilã Flora, de ‘A Favorita’ (TV Globo), teve o figurino montado por Alê Duprat, da agência de profissionais de moda e beleza Abá. “Ela gostou tanto dos modelos que me chamou para ser o seu stylist pessoal”, revela Alê, “monitor” também do vestuário de Reynaldo Gianecchini, Malvino Salvador, Marjorie Estiano… “Muitas vezes, o artista tem um estilo riponga muito forte e mostro que dá para ser mais moderno, mais bacana. Também há gente que, com a idade, acha que não pode usar certas coisas, como decotes. Vou lá, provo que pode, que fica bom.” Caso, claro, da engajada e veterana Patrícia Pillar: no pós-Flora, a atriz passou a desfilar uma sofisticação nunca vista antes na mulher de Ciro Gomes.

Mesmo estrelas que já possuem moda na veia se entregam aos profissionais dos cabides. Fernanda Lima, considerada a Kate Moss brasileira - não pelos escândalos, mas por seu estilo contundente - sempre recorre a Rodrigo Grunfeld, da agência Capa Management, quando o assunto é guarda-roupa. “A Fernanda já mudou três vezes de imagem. No começo, era meio hippie. Depois, ficou mais romântica. Agora, está como sempre quis: bem cara de rua, rocker”, conta o stylist, sobre a mistura de cores, tachas, couro e jeans adotada pela musa. Segundo Rodrigo, ela não precisa mais comprar roupas. “Ganha tudo das grifes. Sempre foi estilosa, antenada, todo mundo quer vesti-la.”


Por Márcio Oyama


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