Márcio Oyama :: jornalista e webdesigner

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(22/10/2005)


- Eu tenho que te dizer. Você é doente.
- ...
- Alguém tinha que te dizer isso.
- E precisava ser o meu mouse?
- Não me subestime.
- Eu te conheço?
- Do jeito que você me aperta...
- ...
- Mas eu te conheço.
- Ah, é?
- Intimamente.
- Só me faltava essa...
- A sua vida inteira passa por mim.
- Não fode.
- Só eu sei os sites que você frequenta. As mensagens que você troca no MSN. Os seus e-mails. A sua senha bancária. Tuas buscas. Só eu.
- ...
- Mas não se assuste. Não posso usar nada disso contra você. Desplugado do seu micro, fora desta mesa, quando o computador descansa... eu morro.
- Afinal, sou doente por quê?
- Primeiro porque você conversa com um mouse. Depois, porque não tem mais vida própria.
- Hein?
- Vive com a cara grudada no monitor. É um escravo da internet. Deixa de comer, de trepar, pra teclar. Não existe se não estiver plugado. Você é mais ligado a este computador, mais dependente dele pra viver do que eu.
- Me deixa.
- Acorda.
- É o individualismo. O mal do século. Não fujo à regra.
- Doente. Sabe que afunda na lama e se conforma.
- Eu realmente tenho que ouvir isso? E de um mouse?
- Não precisa. É só desligar o computador.


Por Márcio Oyama


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