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:: Welcome to the jungle



(17/02/2016)


Saudade dos tempos em que eu me divertia no Facebook. Saudade dos tempos em que eu entrava aqui para encontrar os amigos - e rir. Saudade dos tempos em que a minha timeline era apenas um refúgio doce de uma realidade azeda.

Hoje, é o azedume dessas paredes azuis que me faz correr.

E não, não me isento de culpa. Eu também contribuí para o angu desandar. Eu também já achei que a minha carteirinha de "pessoa das redes" me credenciava a enfiar o dedo no fiofó alheio. A cagar regra, juízo e moral. A usar meu perfil como palanque. A transformar o quarto feliz em arena.

Hoje, só entro aqui debaixo de armadura. Sempre pronto para um tapa na cara, uma rasteira, um empurrão ou um soco no olho. E sempre saindo feliz quando não sou alvo do linchamento do dia.

No fim, acho que viver nesse estado constante de alerta nem é o pior. O pior mesmo vem da sensação de que, se eu não estiver aqui, não existo. De que, fora do Facebook, as pessoas desaparecem. São esquecidas.

Portanto, eu fico. Insisto. Cada vez mais calado, cada vez mais apático. Estando por estar. E sentindo saudade.


Por Márcio Oyama


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